segunda-feira, 1 de março de 2010

Dieta Rigorosa


Esta coisa dos relacionamentos humanos é muitissimo complicada, pelo menos para mim. É que, e não serão poucas vezes que o faço, dou por mim a escolher esta ou aquela companhia como se um “produto consumivel” se tratassem. Não sei se se passa o mesmo convosco, mas confesso que ando cansado de muitos destes... chamemos-lhes “bens de consumo”. Num destes dias recentes, e com algum tempo disponivel, predispus-me a fazer um criterioso exame ás variadas composições organicas de alguns desses "bens", e, sem muitas surpresas infelizmente, cheguei á triste conclusão que muitos deles são comprovadamente prejudiciais á minha saúde, sendo até alguns deles potencialmente venenosos e fatais. O problema, quanto a mim, é que essas pessoas, esses “produtos” conseguem, e cada vez mais com mais subtileza e requinte, mascarar a sua verdadeira face, a sua verdadeira intenção, a sua verdadeira essência, por detrás de uma “apetecivel embalagem”. Acontece que – e provavelmente estarão neste patamar os maiores casos de “intoxicação” – muitos destes “produtos” não causam “morte” imediata mas, e isso sim, “morte gradual”. Os sinais esses, nem sempre são visiveis e compreendidos como uma séria ameaça, pois os sintomas mais comuns são enjoos e dores de cabeça e, afinal, «não pode ter sido daquele "copo", pois ele “bebe-se” sempre tão bem daquela “sua embalagem” tão simpática...»
Não sei se estarei certo ou não em fazê-lo, mas antes de meter algo á “boca” prefiro estudar muito bem o “prato”servido á minha frente; E não, também não vou nas sugestões do dia do chefe, porque o que é bom para muitos pode não servir o meu paladar, e afinal os organismos nem sempre são todos iguais.
Porque falo agora neste assunto?
Hoje comecei uma dieta...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Já Não Há Canções De Amor


Já não há canções de amor, sim daquelas que como dizia o Rui Veloso, havia antigamente. Ficaram-se no tempo, lembradas apenas nas eternas recordações de outrora, nas paixões perdidas e conquistadas de um passado que já lá vai. Hoje já não se vê a lágrima de quem chora a ouvir, de quem sofra a cada palavra da melodia, de quem se emocione a cada nota do som de uma viola, de quem se arrepie á passagem por aquele acorde que nos falava directo ao coração, fazendo-nos viajar num sonho entre o passado e o futuro assim numa fracção de tempo no “compasso”. Tudo isso se foi, tudo isso ficou lá atrás, viajando apenas de quando em vez para esta “estação” quando a memória o pede, quando a alma se aperta naquela saudade que ainda hoje nos faz viver, nos faz sonhar, nos faz sentir....
Sim, já não há canções de amor como havia antigamente.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Estar de Chuva


-Um destes dias vou mesmo fazer aquilo, acreditem que vou. Desta é para valer, e não há nada que me vá fazer mudar de ideias, vocês esperem só para ver. Deixem só passar a chuva e estes ventos fortes que me fazem mal, e aí é que é. Claro que com muito Sol também não dá lá muito jeito porque, verdade seja dita, não me dou bem com o calor, e a exposição solar é, nos dias que correm, muitissimo perigoso! O ideal é mesmo fazê-lo com o tempo ameno, primaveril, mas claro que, e isto é importante, sem flores, porque a essas tenho alergia, e depois há o tal do pólen que anda sempre no ar e em todo lado. Não, assim não dá... Mas ai que não faço! Esperem só! Deixem-me cá ver quando... Ah! Talvez quando o tempo estiver assim a “meio pau”, já com as flores secas e o ar limpo, aí é perfeito. Mas...esperem... Bem, limpo limpo nunca está, porque com a queda das folhas das arvores e coisa e tal, o ar apresenta-se sempre mais empoeirado, coisa que me faz muito mal aos pulmões, e para jogar pelo seguro, é melhor ficar para outra altura.
(Cerca de trezentos e sessenta e cinco cabelos brancos depois...)
-Que vou fazer, ai isso é que vou! E vai ser um dia destes, desde que não esteja de chuva e de vento, claro. Sou muito dado a gripes e agora não me dá jeito ficar doente. Mas, mais lá para a frente sim, vou mesmo fazê-lo! Preciso é claro de ter cuidado com o calor e com a exposição solar. O cancro da pele afinal é a doença da moda, e, sejamos francos, fazer de noite também não dá, porque de noite está sempre escuro. Eh pá, que chatice! Mas não que não o faço! Lá para Maio... É isso! Vai ser em Maio! É preciso é que as flores não cresçam porque as alergias atiram-me por terra, e desde que no ramos das árvores não crescam folhas, porque -não sei se já vos disse que quando elas caem dos ramos fazem uma poeira no ar completamente insuportavel- assim meus amigos não dá para fazer nada. Mas se é para fazer, é para fazer! Um destes dias é mesmo para valer, é como vos digo! Não pode é estar de chuva...
(Que me dizem, já chega de andar á roda?)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sono De Anjo



Enquanto a vejo dormir deitada aqui do meu lado, esta sensação, este sentimento que não se consegue pensar, apenas sentir, completa-me, acalma-me, porque sei que hoje tenho tudo, absolutamente tudo... o Amor D´ela .
As suas feições ternas, meigas, de menina e de mulher ao mesmo tempo, escondem nos seus finos traço a lutadora, a guerreira, a mulher que persegue a vida e trava guerras em nome da felicidade....

Agora está em paz no seu sono, as batalhas de hoje foram ganhas, mesmo as perdidas...
Imagino agora os seus sonhos... O que vê ela neste momento? O que estará ela agora a viver, a sentir com os dedos e os olhos da sua alma?

Paz...sinto imensa paz no coração, porque um anjo sonha a meu lado, vive a meu lado, e Ela é tudo...

Bons Sonhos

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Muito Bem Disposto!


Hoje, contrariamente á grande maioria das vezes, estou mesmo muito chateado com o facto de estar doente. Passo desde já a explicar: Já não bastando o facto da minha linda, melódica, profunda, suave, vá lá....perfeita voz -para serer mais exacto- estar “aprisionada” na garganta por uma odiosa infecção, também os meus lindos, apurados, sensíveis, vá lá.....esbeltos ouvidos -diga-se de passagem- lembraram-se de fazer tudo, sim rigorosamente tudo menos aquilo que lhes realmente compete: Ouvir; coisa que, confesso, adoro fazer principalmente quando falo (risos). Ah...e sim, é obvio que estou a brincar! Dêem-me um desconto, afinal estou de cama há dois dias! Mas, se querem mesmo que vos diga, o que me entristece mais no meio e no fim disto tudo é o meu aspecto; aspecto esse que -e reparem, não sou eu que o digo mas sim milhares e milhares de pessoas- é simplesmente perfeito, mas que por causa deste estado “gripado” está assim um bocado para...bem, como dizê-lo...está assim um bocado para o “vagabundo”; com o devido respeito para com os sem abrigo, claro. Mas sim, pareço um coitadito. Barba grande, despenteado, uma meia de cada côr -coisa que reparei há 10 min-, uma suspeita irritação cutânea abaixo do nariz, fazem agora de mim uma figura estranha e sem brilho no reflexo do espelho, mas -e acreditem quando vos digo que não imagino porquê- muito, muito bem disposto!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Compram-se Segundos A Bom Preço



Visto que muitos de vocês, eu inclusive, se dão ao luxo de não usarem, pelo menos de uma forma “rentável” e “saudável”, esses pequenos segundos de tempo que vos vão sobrando na carteira ao longo do dia, assim a jeito de trocados de um cêntimo que parecem não ter força para comprar algo de jeito e por isso são gastos em goluseimas de 2ª, eu compro-os.
Esta coisa de não ter tempo para ter tempo, é muito complicada, não acham? Pois é o que vos digo. Se os têm a mais, esses trocados quero eu dizer, fazemos negócio se os quiserem vender a bom preço. Mas se não estão para aí virados, aqui vai uma ideia assim a título de conselho: Não o poupem porque ele é um "bem" perecível e morre quando não é "consumido", e, não menos importante, não o gastem em “porcarias” que vos podem fazer mal á "barriga"...
A verdade é que não nos importamos muito com o facto de dar apenas mais “um minutinho” áquele chato que não gostamos, ou então perder só “um segundinho” com a “conspiração” do dia que não nos interessa e não nos diz respeito, concordam? E é nesta constante troca de tempo por trocados que vamos gastando as “moedinhas” que não nos fazem peso na sacola do Tempo, pelo menos para já, pelo menos por hoje.
Mas, no final de contas, e feitas bem as contas, cêntimo a cêntimo, segundo a segundo, os euros e as horas começam com o tempo, tempo futuro neste caso, a ganhar forma e peso no livro de contabilidade, traduzido por mim em livro de “aproveitamento do tempo de vida”. Aí o saldo pode ser positivo ou negativo, conforme claro os bons e os maus investimentos feitos com todos os trocados que nos deram para gastar durante o Tempo...



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Boas Festas"


Essa historia da “luta diária” que travamos para nos manter-mos á “tona” da vida já me está a dar água pelo bigode. Chega de tristeza. Hoje, para variar um pouco o estimulo cerebral, apetece-me falar daquele assunto em que a grande maioria não perde tempo com palavras. O Sexo. Partindo do principio que todos vocês gostam de sexo, e eu inclusive como não poderia deixar de ser, vou aqui, convosco como parceiros claro, “analisá-lo” de um outro ângulo, daquela posição que só se é possível ter quando se assume o lugar de espectador, isso porque ainda me encontro sozinho na cama, obviamente... Estão comigo? Ok, então vamos lá. Bem, por onde começar...? Talvez pelo principio, e não, não falo dos preliminares! Por onde começar a “dicertação”, quero eu dizer. Bem, adiante. O local. Pode ser qualquer um, desde que dê espaço de movimento. Com quem? Quanto a vocês não sei, mas no meu caso, desde que seja uma mulher, ou melhor, a minha mulher só para não haver confusões, está absolutamente perfeito. De luz acesa ou apagada? Humm...diria das duas. Bem, concordam comigo em que as principais condições necessárias á realização da “festa” já foram encontradas? Sim? Nesse caso dê-mos então ínicio. Comecemos então por retirar a roupa do contexto. Sim, fora com ela porque ela não é importante, exceptuando talvez a lingerie, essa pode, ou melhor, deve ficar...
Bem, neste preciso momento há algo que me está a desviar a atenção....desculpem lá...dêem-me só um segundo.............

Perdoem-me, mas se me dão licença, tenho umas “coisinhas” a fazer, e por isso, pelo menos para já, resta-me desejar-vos bons sonhos, ou se for o caso, “boas festas”.
Ah, e fica desde já combinado: Amanhã, se ainda estiver sobre o efeito do vinho que bebi hoje, o que será muitissimo improvável garanto-vos, conto-vos o resto, mas o mais certo será apagar este Post antes mesmo que a minha mulher o leia...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Momento (0)


A morte é um daqueles “assuntos”. Sim, é um daqueles temas que parecem estar confortáveis nas nossas bocas durante um interessante e “revelador” debate de crenças, isso quando se referem a ela como uma forma de vida, claro. Mas, aqui e agora, não quero discorrer em teorias baseadas em qualquer tipo de fé, atirando prá fogueira questões do tipo “como será o estado de morto”, ou mesmo “como será o paraíso”, não, porque forçosamente isso remeteria o cenário deste texto para a tal “vida depois da morte” e eu não pretendo ir por aí, porque por “aí” estamos todos preparados para “lhe pegar” de uma forma leve e despreocupada, dando asas á imaginação, porque, convenhamos, mais não podia ser. Pretendo, isso sim, “tirar-vos” o gozo do “e se?” e falar aqui daquilo que garantidamente é real, mas, por qualquer motivo, ninguém quer falar, ninguém quer sequer pensar, ninguém quer sequer imaginar: O momento “0”, o fim da linha, o momento da morte. Esse sim é real, só não sabemos o “quando” e o “como”, e, verdade seja dita, não queremos agora ocupar o nosso pensamento com essas inquietações!
«Oh Hélder! Que assunto mais mórbido!»- pensam voçês. Sim, provavelmente têm razão, mas não deixa de ser “interessante” de pensar, não acham? Escusam também de ter medo, porque o “falar na morte” não é de todo sinónimo de “chamar a morte”...
Onde quero chegar com isto tudo? Depois de divagar um pouco, era exactamente aqui: Quando nos vimos “cara-a-cara” com esses “momentos 0”, muitos deles trágicos, injustos, irracionais, na vida, ou no fim da vida neste caso, de alguém que conhecemos, isso põe-nos a pensar, põe-nos a imaginar, põe-nos logo a tremer de medo e a pedir aos céus que nos poupe “áquele cenário”, não é verdade? Sim, claro que é, e isto não é uma critica, a final também eu sou humano, mas, assim a jeito de “estalo para acordares”, inclusive para mim, penso que deveriamos todos estar mais em sintonia com estas realidades. Porquê? Eu respondo-vos. Talvez se “compreendessemos” melhor a morte, se a olhassemos mais vezes “olhos nos olhos”, se não fugissemos a sete pés quando ela nos passa ao lado, provavelmente teriamos muito mais sensibilidade face ás tragedias do mundo; Não mudariamos por exemplo o canal de televisão quando vissemos a morte estampada na cara de uma criança que morreu de fome, porque a mãe dela, também já morta pela fome, não a conseguiu salvar; não virariamos as costas ás vitimas inocentes de uma guerra injusta, enfim....não seriamos negligentes com o sofrimento do mundo, e provavelmente, com essa consciência da “radicalidade” da morte, uma outra consciência de ajuda seria criada...porque o mundo afinal, também somos nós...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fim do Mundo em Cuecas


Deus nos livre de no dia do fim do mundo sermos apanhados só de cuecas. Já imaginaram? Seria , digo eu, uma enorme falta de consideração e respeito por essa última data carimbada pela humanidade, não acham? E que vergonha não seria comparecer á “festa” nesses preparos! E depois não é só isso! Como seria depois, ou melhor, “o” depois? “Partiria-mos para o “outro lado” apenas com esses trajes menores? Olhem lá o risco! Já viram se á entrada dos portões do céu, vestidos com tais trajes indecentes, assim em jeito de barrado á porta da discoteca, também esse “porteiro” embirrasse com a vestimenta, ou a falta dela neste caso, e consequentemente nos deixasse ali de pé á espera uma eternidade indo passando á frente todos áqueles que se vistaram a rigor para a ocasião? Isso sim era uma chatice daquelas... É que não deve dar jeito nenhum ficar ali especado á espera! Ainda por cima numa fila que, quero eu acreditar, pode ser colossal... Ao menos que eu tenha companhia de almas que falam a mesma lingua do que eu! É só o que peço, pois assim pelo menos poderei dar duas de letra sobre o facto do Benfica não poder ser mais campeão e coisa e tal.
Ah, e depois hà outra coisa! É que, só de cuecas ou não, irão sempre existir aqueles que conheçem alguém “lá dentro”, para lá dos portões quero eu dizer, e esses, como é óbvio, também têm prioridade, atrasando ainda mais o processo de entrada. O pior é se a “casa” fica cheia... não, não quero nem pensar!
Pelo sim pelo não, aqui fica o aviso que eu próprio tentarei levar em conta: Estejam sempre prontos para essa “viajem”, pois nunca se sabe qual o dia da partida. Não menos importante será também este conselho que, diga-se, tembém serve para todos: Ide procurando uma cunha, alguém com conhecimentos “lá em cima”, pois pode fazer jeito, muito jeito...
Se não estiverem a “ver” ninguém que eventualente vos possa vir a ajudar nessa questão, façam o seguinte: Acreditem apenas que “ele” existe, e ele eventualmente há-de apareçer...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

04:45 min.


Escrever por instinto. Admiro aqueles que "sabem como". Eu não. Eu não o sei. Não é racional, não é premeditado, não é tentado; é apenas conseguido. Como? Liberdade, digo eu. Coragem, penso eu. Esquecer as mentes que me lêm, as visitas do dia, aquele "olhar" desatento que tudo entende, e aquele mais atento que nada entende, e escrever a minha alma, o que sente e vive a minha alma. Sim, hoje vou tentar, estou a tentar. Hoje vou consentir que apenas os meus dedos contem a historia, que contem aquela história que ainda não sabe que quer ser contada.
Dois minutos.
Não sei para onde vou, onde quero chegar, mas continuo. A minha alma tem vontade de falar, de dizer tudo e de não dizer nada, de esperar o "tudo" enquanto escrevo o "nada". Instinto puro. Nunca tentei, nunca consegui. É bom de quando em vez não pensar, não planear, atirar-me apenas em "queda livre" e ir "caindo" sem avistar o "ponto do fim", sem me importar de ter desconfiado do "ponto do salto". Não faz sentido, sussura a minha mente treinada, habituada ás "contas" nos "contos" que me são habituais, mas ela, essa voz, essa outra mente que sou eu em "modo escritor", não me incomoda, embora hoje ignorada, hoje enciumada.
Três minutos.
Continuo a ser travado por o "ele" de sempre, sim, por mim. «Não há lógica, não há lição!», avisa-me ele assustado, «apenas um grande nada!», repreende-me.
Três minutos e meio.
Nunca pensei que havia tanto "nada" a dizer. Estou feliz porque a minha alma consegue falar directamente com as minhas mãos, deixando-me de parte á espreita, desconfiado, receoso. Não sabia como fazê-lo, e ainda não sei, e sim... Não cheguei a lado algum, mas este novo caminho ainda não terminou.
Obrigado Amigo, por me mostrares o "como"...
Quatro minutos e quarenta e cinco.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aos 99...


Ás vezes ponho-me a imaginar o futuro. Pergunto-me, com alguma frequência, quem é que eu serei quando for velho, sim aquele velho cheio de rugas e manias e bengalinha na mão, isso se eu lá chegar está claro. Já equacionei a hipótese de vir a ser um daqueles velhos chatos e rezingões que pensam que sabem tudo sobre tudo e que pouca ou nenhuma paciência têm para ouvir uma opinião contrária, confesso... . Mas, o mais provável, digo eu, é que eu venha a ser um simpático senhor de cabelo totalmento grisalho que por detrás de um característico rosto grave e sisudo esconde uma alma aberta ás novas ideias, ás novas tendências, ás novas e revolucionárias verdades. Confesso que tenho uma enorme curiosidade em ver essa “fotografia”...
Existem coisas, caracteristicas que dizem respeito ao relacionamento que "hoje e sempre" mantive com os meus “companheiros de viajem” que “nesse” futuro não quero perder, não quero que fiquem na memória do tempo, inclusive as menos boas.

Há dias, como é mais que habitual, dei comigo aos “saltos” e aos “berros” durante uma “daquelas” discussões com aquele amigo de sempre, aquele amigo de todos os momentos. Era um desses duelos em que ninguém tem razão, mas ninguém quer perder, pois ambos os egos são muito "altos"... Desde que me conheço como pessoa, foi sempre assim, com esse amigo pelo menos; Quem estivesse a assistir de camarote, poderia jurar que em grande maioria dos “espéctaculos” a pancadaria esteve sempre eminente, em cada palavra, em cada gesto.

Onde eu quero chegar com esta história?

É simples.... Aos 99 quero que seja exctamente assim, aí de bengala na mão que remédio! Mas assim...com todos esses defeitos e manias que fazem de mim o que sou, quem sou; Quanto ao resto, só o tempo o dirá, e eu tenho tempo...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Tentar Ser Feliz


Neste corre corre da vida, em velocidades ora mais lentas ora mais acelaradas, conforme a urgência do corpo presente, vamos sempre pondo ordem no desordenado caos que nos cerca e nos teima, assim com pequenas metas e fronteiras a conquistar, a nos fazer crescer, evoluir como pessoas e, talvez não menos, como profissionais.
Neste amaranhado de teias de ruas e becos aparentemente sem saída, vamos prosseguindo viajem, desenhando traços nesse nosso mapa pessoal que no futuro prestará contas ao “terminar da linha”, ditando sem pena e reserva os sentidos e direcções dos nossos passos, das nossas apostas bem ou mal calculadas, das intenções que nunca viram a luz do dia, sim..., dessas tantas intenções.
Não serão poucos, esses tantos que dizem que estão a viver uma vida que não é a deles. Se lhes dessem a oportunidade de mudarem o que bem entendessem no seu personagem, digo-vos eu, teriam certamente uma longa lista de papel enrolada na ponta da língua pronta a disparar de cor e salteado.
Quando preferem fingir não lembrar os “velhos do baú”, lá aparecem os “é, porque tem que ser!”, ou os “porque a vida é que quis assim!”, e com isto dão a ideia que somos comandandos por uma mão invisivel que nos guia, obrigando-nos por aqui ou por ali, a prescindir disto ou daquilo.
Aquilo que os outros pensam ou deixam de pensar também não será menos importante que a dita “Obrigação” que temos perante aqueles que contam connosco para a sua própria agenda, para o seu próprio destino. Sim, não tenho dúvida que andamos sempre de mãos dadas com alguém, e ainda bem! Nenhum homem deve ser uma ilha, como lá diz o outro...
O segredo, que não é segredo nenhum, mas sim uma díficil e sofrida tarefa, é simplesmente esta: “Tentar ser Feliz”.
Pois quanto a mim digo-vos: Eu vou deixar de tentar. Pronto, acabam aqui as tentativas. Vou passar, a partir de agora, a Sê-lo, sim, a Ser Feliz!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"A Outra Margem"


Muitos de vós que se dão ao trabalho de visitar este meu “Quatro Elementos” não sabem que, há cerca de oito meses iniciei um projecto que se intitula de “A Outra Margem”. Este meu aspirante a Livro começou a ganhar forma na minha cabeça há alguns anos, mas, por qualquer motivo justificado pelas desculpas do costume, foi adiado até Maio passado. Estava tudo na minha cabeça, desde as personagens, os locais, o enredo, enfim, tudo.
Iniciei devagar, tímido, envergonhado comigo próprio, mas essas não eram as principais barreiras á concretização; Não, o “problema” era mais práctico. Era falta de práctica.
Não habituado a pensar devagar, as teclas do computador revelaram-se nessa fase um problema, pois travavam-me a fluidez de pensamentos, fazendo-me muitas vezes perder “aquela frase”, “aquela forma de dizer que ainda há pouco li na minha cabeça”, aniquilando dessa forma o gozo do “processo criativo espontâneo”. Perdia muito tempo com essa questão, e quando por fim parava, parava por cansaço, nunca pela falta de vontade.
Mas, com o tempo e o treino, lá os teimosos dos desabituados dedos começaram a se familiarizar com a complexidade de botões negros ordenados de forma estranha, e aí sim, a história começou a escorrer para o “papel” como água. Não faltava inspiração, e mesmo sem tempo, tinha tempo para ela, para essa minha viajem, esse meu sonho escondido.
Escrevi durante algum tempo de forma regular, sem nunca parar na história para lhe mudar o rumo, a vírgula, um ponto sequer, pois tudo era contado “daquela forma”, “da minha forma e feitio”.
O tempo continuou igual a si mesmo, mas eu, por qualquer motivo, deixara de ser igual a mim mesmo...Algo mudou e eu não sei o quê, o porquê. Aí parei. Parei tudo.
Algures no amaranhado de bytes e gygabytes do meu computador, esconde-se um bocado de mim, um pedaço da minha alma. Um sonho arquivado numa prateleira digital á espera de continuar caminho, á espera de um “FIM” ao terminar dos capitulos.
Há dias “avistei-o” a navegar no azul do ecrã junto de um ficheiro entitulado de “Relatório DIM”. Perante aquele cenário pensei: “Ora aí está...um pedaço daquilo que eu sou, e um pedaço daquilo que eu tenho, e este segundo, teima em aparecer em primeiro plano, como o mais importante, quando na realidade não é...”
Enfim, espero um destes dias abrir de novo essas “ingénuas páginas” que tanto me deram prazer de escrever, isso se elas me perdoarem o abandono...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Foto do Passado


Adoro ver as minhas fotos de infância. Quando vejo aquele rapaz de cabelo claro com ar de traquinas, fico sempre emocionado. Lembro-me dele, o que ele pensava, o que ele sonhava conquistar na vida, o porque ele sofria, o porque ele chorava , o porque ele sorria... Quando vejo a sua imagem e olho fundo nos seus olhos castanhos, noto que há um brilho de tristeza, uma mágoa disfarçada e escondida pela ternura do sorriso... Ele foi eu, não..., sou eu.
Recordo-me dele com os amigos. Era o mais pequeno do grupo, porém o mais impetuoso, o mais sério e preocupado, o menos criança. A vida era-lhe dura e dificil, mesmo tendo os bolsos recheados de notas que raramente chegava a gastar. Não, ele não queria coisas; Ele gostava mesmo era de ser ouvido, apreciado e reconhecido como o mais inteligente, o mais bem falante, o líder. Sim, ele era o líder que nunca falou alto, que nunca andou á pancada, que nunca humilhou ou envergonhou um amigo. Ele, esse miudo, era justo, terno, fiel a principios de caracter muito raros na idade dele.
Hoje sei que ele, esse rapaz, viveu muito pouco, a sua infância foi adiada... Muito lhe foi negado, muito lhe foi roubado, obrigando-o a ser mais alto, mais sério, mais homem, mais cedo do que deveria...
Hoje, quando ele sorri, o seu sorriso é sincero como o do rapaz da foto, esse rapaz que ainda vive na minha alma, no meu coração, e que, sempre que pode, aparece para jogar á bola...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sonhos Desfeitos


Portanto é assim: Ou se faz, ou não se faz. Agora andar aí no “pois e tal, porque se calhar não vai dar e não sei quê…” é que não. Não gosto de impasses, de desculpas inventadas há última da hora para justificar o medo, a falta de coragem e de garra. Já pensaram que, sempre que voltamos a rever os prós e os contras de um plano, os contras vão ganhando terreno, uma importância que á partida não tinham? Pois é... e Conclusão: Damos para traz e, em grande parte dos casos, desistimos. Chego á conclusão que nós, seres humanos, às vezes pensamos demais. Vamos do céu ao inferno num estalar de dedos, damos voltas e mais voltas á cabeça, tentando prever, antecipar, adivinhar, mesmo sem sermos bruxos, o futuro; futuro esse que quanto mais pensamos, mais pintamos de negro...
A tendência que temos de desistir de um sonho quando ele está prestes a realizar-se é lamentável, triste. Parece até que temos medo de ser felizes, ou então, e por qualquer motivo desconhecido, achamos que não o merecemos. Somos cruéis connosco próprios, pois aceitamos a ideia distorcida que a vida não nos iria dar uma “oportunidade daquelas”, não porque “não pode ser assim tão fácil para mim, porque eu não fui talhado para grandes coisas, grandes voos. Nunca foi assim! Porque seria agora?...”. E é assim meus caros, é aqui que nasce a dúvida, o medo, a incerteza, e o fim de um processo que muitas vezes não chegou sequer a nascer, e aí, no lamento do “fim”, pensamos com fraca esperança “Sim, é melhor esperar que apareça uma oportunidade que me pareça mais impossível, porque essa, com toda a certeza, será mais real, mais exequível.”
Claro que, quando lá chegamos, a essa nova chance, de novo tudo nos parece mais complicado, mais irrealizável, um sonho ainda mais absurdo que o anterior, e, mais uma vez, o “coisa e tal…porque não sei quê” vem com força suficiente para deitar tudo por terra, destruindo-nos mais um pouco durante o processo…
Lembrem-se que, os sonhos recalcados com o tempo morrem, mas… cuidado, pois eles continuam a habitar a vossa alma, empestando o ar…

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Deuses na Terra


Somos uns excelentes críticos dos outros. Se estivermos atentos, facilmente sabemos dizer onde muitos falharam, onde fulana e fulano de tal podiam ter feito melhor, onde este e aquele e a prima do outro foi fraca e incompetente, e onde tantos outros perderam mas que conseguiriam, se tivessem os nossos olhos é claro, ter ganho. Sabemos também quais as justas consequências que, assim em jeito de juízo e julgamento, devem ser aplicadas nas palavras da “crítica construtiva” a tantas dessas “falhas”, de forma a “castigar para ele aprender”, sim para ele, o dito aluno, retirar das nossas palavras a redenção da alma, e a experiência da vida. Se ao menos todos ouvissem a “nossa mente brilhante”… então aí é que era! Certamente que depois da nossa sábia palavra, depois da melhor visão, a nossa visão logicamente, o mundo seria abençoado com a rara capacidade de ver aquilo que quase ninguém consegue ver, a “verdade de tudo”! Aposto que muitos de “nós” gostaria de prestar esta tão importante ajuda ao mundo e, estou em crer, que não nos importaríamos muito que esse fosse um “serviço” quase sempre gratuito, assim como Deus o faz... Estamos cá, prontos para ajudar e gostamos de ajudar, de apoiar, de sermos a luz de quem percorre o túnel, a sabedoria, a inspiração para os desinspirados. Saibam que as nossas palavras são pérolas, e as nossas visões caminhos para o sucesso. «Quem quiser viver sem errar um milímetro que seja, basta vir falar com “um de nós”!», sim porque é “aqui” que está a verdade, é aqui que vivem os Deuses do plano terreno, dentro de todos e de cada um dos iluminados…
Só tenho pena que nós “Deuses Terrestres” sejamos donos de tanta sabedoria, de tanta perfeição, mas que não saibamos olhar e julgar o nosso próprio reflexo… Se nos conseguíssemos ver com a clareza com que vemos e julgamos os outros, certamente aí, de frente do espelho, ficaríamos calados e se possível escondidos, para que não nos encontrassem…

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vozes da Rádio


Interrompidas apenas pela música e pelo anúncio publicitário, estão sempre ali, presentes, constantes, teimando em nos ocupar os ouvidos com os seus monólogos e perguntas retóricas, entretendo-nos com piadas, passatempos, prémios e discussões acaloradas. Ao longo dos intermináveis km´s de estrada que me conduzem aos habituais destinos da instalada rotina, elas, as vozes, são forçosamente a minha única companhia, amizades já seladas por anos de convivio mas ainda sem cara, ocupantes nos lugares vazios e que sem cerimónia e entrave me tratam por tu. As vozes. Graves, profundas, agudas, estridentes, alegres, preocupadas, irritadas, serenas, teimam em falar comigo como se um passageiro sentado ao lado fossem. A rádio.
Enquanto da beira da estrada as muitas tabuletas de “Bem-vindo a…” e de “Volte sempre a…” me acenam adeuses, essas vozes desprovidas de corpo vão alternando com frequência, um problema de frequência aposto, passam a ruídos de fundo. Com o tempo e a distância, dou por mim hipnotizado. Não o sei, mas estou. Agora não ouço, não vejo, não sinto. Tudo é automático, até o cigarro na ponta dos dedos. O caminho passa a ser uma longa recta de alcatrão sem curvas e contra curvas a curvar. Sou conduzido pelo carro, embalado pela cacofonia das estações que se atropelam a cada cinquenta metros. É o meu corpo que está atento e não eu, sim porque “Eu” estou a voar, a deixar-me levar pelo vento…
Correndo o risco de se questionarem se eu me encontro de plenas capacidades mentais, não posso deixar de considerar algumas hipóteses: Nunca vos passou pela cabeça que, durante esse periodo de "adormecimento de sentidos" muitas dessas vozes de palavras isoladas, algumas delas arrastando-se por frases gastas e monocórdicas, estão de alguma estranha forma a falar directamente com o nosso inconsciente, com a nossa alma, dando-nos respostas e formas de pensar sobre assuntos e questões muito concretas da nossa própria vida? Já se questionaram se, de forma a nos ajudar a obter soluções para os mais variados problemas que habitam no nosso corpo, eles, os nossos guias e mentores espirituais, não recorrem a outra frequência, manipulando uma outra via, para que nós, simples e limitados corpos terrenos, possamos escutar e assimilar mesmo sem estarmos de facto a ouvir essas… vozes da rádio?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Corpo de Lata


Ídolo significa também “Objecto de grande paixão”. Não tenho nada contra os idólatras, e se querem mesmo saber, olhem...quanto a mim…cada qual idolatra como quiser e como bem entender o “tal” a quem decidiu pôr no seu pedestal de ouro pessoal. Isso é lá “convosco”. Mas, há um ponto no meio de tudo isto que eu tenho alguma dificuldade em entender e aceitar, e que é basicamente o seguinte. Quando chamamos alguém de “meu ídolo”, no fundo estamos, nestas escassas duas palavras, a dizer que esse “espírito elevado” é representativo de uma ideologia, dono de uma série de características com que nos identificamos e revemos quase totalmente. Um ídolo, abreviando, é alguém que admiramos profundamente, alguém que respeitamos de forma a raiar a divindade, alguém por quem nutrimos paixão e que é exemplo daquilo que nós próprios gostaríamos de ser, certo?
Como sabem, ao longo da História do mundo, muitos nomes foram apontados como ídolos, como ícones. Falo, neste caso, de homens e mulheres que, de uma forma profundamente marcante mudaram formas de pensar, formas de agir, influenciando o futuro e a história de sociedades inteiras. Foram adorados na sua essência, na sua original diferença e capacidade e, por isso, destacaram-se dos demais com algo de seu e inimitável. Olhando para a nossa realidade presente, é cada vez mais frequente notar que, a grande maioria daqueles que são postos nos "altares de adoração" são escolhidos pelos princípios errados, ou melhor, por fracos e pobres argumentos, não acham? As pessoas “comem com os olhos”, e apaixonam-se pelo “cheiro”. Vão ao sabor do vento, atrás da moda do momento, sem questionar muito se por detrás daquele original penteado a combinar com a aerodinâmica de um potente carro está uma mente inteligente e com algo de novo para oferecer ao mundo…
Felizmente, e como quase tudo na vida, as modas vêem e vão, e com elas essas “estatuetas de ouro” que durante algum tempo souberam esconder o seu real “corpo de lata”…

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Teimoso


Se há uma característica facilmente identificável para aqueles que conhecem a minha personalidade, ela é, sem sombra de dúvida, a teimosia. Sim, sou teimoso, muito teimoso. Que é que querem? Olhem, sou assim e pronto. Mas, e agora que penso um pouco nisso, cada vez mais, erradamente há que dizê-lo, me convenço que esse meu defeito teima a parecer-me mais uma virtude que outra coisa qualquer, uma arma em riste que me permite levar a melhor em muitas “guerras”. Não, não gosto de perder “nem a feijões” como dizia o outro, mas, neste caso em concreto, a sorte não tem nada haver para o caso. Talvez pelo hábito do defeito profissional, sou perfeitamente capaz de desmontar um argumento bem fundamentado, de criar uma séria dúvida no coração de uma ideia bem concebida, só para satisfazer a minha vontade, o meu capricho, o meu interesse. É com relativa facilidade que me consigo desprender de emoções quando estou em guerra de ideias. Sou objectivo, frio, quando teimo que o “outro” não pode, mesmo que o mereça, levar a dele avante. Aí nesses casos, é ver-me às voltas, a fazer grandes “viagens”, muitas delas por lugares que nem sequer existem, a atravessar oceanos, a escalar montes e vales apenas para lhe “dar o nó na cabeça”, a levá-lo a crer que, afinal, ele não estava tão certo como imaginara, e, finalmente convencê-lo que o melhor caminho, ou o melhor argumento é, sem sombra para qualquer dúvida, o meu. Sim, é o meu porque eu teimei que tinha que ser o meu. Porquê que tem que ser o meu? Ah…isso não sei. Escusam de teimar porque não sei.
Mas sabem uma coisa? Isto de ser teimoso tem os seus “quês”. Muitas dessas guerras que travamos em nome da teimosia, não são na realidade verdadeiras batalhas. Nós, neste caso eu, é que as crio na minha cabeça. Esse estúpido orgulho, essa mania do "eu é que sei" quer sempre levar a melhor e, na grande maioria das vezes, magoa, prejudica o alguém "do outro lado, podendo até acabar por destruir a relação. E tudo isso em nome de quê? Do Ego? Em nome “dessa razão” que, na realidade, não precisamos do nosso lado? Convenhamos que a teimosia fundamentada revela inteligência quando utilizada com lógica, com verdade, muita dela manipulada "á nossa maneira" é certo, e em alguns aspectos profissionais isso chega até a ser determinante para o cumprimento de objectivos; Mas... essa mesma tal teimosia é completamente desnecessária quando utilizada como capricho, quando surge como forma de desafio que constantemente teima em pôr á prova essa nossa capacidade de criar uma “outra verdade” mais verdadeira, quando na realidade não a é... Claro que também existe aquela teimosia que assenta nos “não é, porque eu não quero que seja!” ou pelos “é assim, porque eu digo que é assim!”. Nesses casos, essas formas de estar, de ser, não são caracterizadas pela teimosia, mas sim pela estupidez, e isso já é outra coisa…

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

(- 364)


E aí estamos nós, novamente em contagem decrescente para a entrada do novo ano que se avizinha. Restam-nos apenas uns escassos 364 dias para nos dedicarmos á realização dos compromissos que, nos nostálgicos últimos segundos do passado ano, nos comprometemos a pés juntos a fazer tudo por tudo por cumprir.
Nessas derradeiras últimas badaladas que puseram termo a 2009, a grande maioria de nós, aposto, foi tomada de uma forte energia, invadida por uma vontade enorme de vencer, de crescer, de conquistar o mundo, e, todo e qualquer desafio para o futuro, naquele momento pelo menos, pareceu-lhe insignificante, um pequeno muro facilmente ultrapassável pelo um fraco impulso no salto.
Uns poucos minutos antes do brinde ao novo ano, dei por mim a olhar para trás, para este passado recente do último ano. Sem excepção, vi onde errei, onde falhei, onde poderia ter feito melhor, se na altura estivesse com predisposição para tal. Para minha grande satisfação, ali de taça na mão, não senti a vontade do arrependimento, não encontrei uma má pessoa no reflexo desse “espelho” onde me revi, e no brinde á entrada do novo “presente”, não encontrei razões para não sorrir e brindar também a esse passado que terminou pelo imposto ultimo dia do ano; Não sei, penso que pelo facto do último calendário ter sido atirado no lixo, fez com que, com ele, alguns dos dias que ele assinalou deixassem de ter importância, pelo menos os maus, os menos felizes, os menos conseguidos. Ali, no "fim do passado", eles deixavam de ser “realidade”, passando agora a “história antiga” sem relevância para “este” presente, embora deixando sempre algumas facturas para saldar…

Com essas últimas doze badaladas, vem o perdão, vem a nova e renovada energia que nos leva a acreditar que o planeta é demasiado pequeno para a nossa incomensurável vontade. Somos gigantes aprisionados num pequeno e limitado corpo, a rirmo-nos da facilidade do Mundo, e como ele, nessa escassa fracção de segundo, se apresenta tão fraco, tão vulnerável á nossa vontade.
De forma a não perdermos este tão renovado estado de espírito, não acham que deveria haver uma profunda alteração no nosso actual calendário?
O que acham de, em vez de do ano ter 365 dias, ele passar a durar apenas 24 horas?